Confiança em Tempos Tenebrosos

Um encorajamento baseado no discurso de Jesus sobre o fim.

Talvez você já tenha tido a oportunidade de viajar para Israel e visitar aqueles locais nos quais os eventos bíblicos ocorreram. Quem esteve em Jerusalém, certamente se lembra daquela vista espetacular a partir do monte das Oliveiras. Enxerga-se de lá o monte do Templo, o vale do Cedrom, o monte Sião e a Cidade Velha de Jerusalém.

Mesmo que não seja exatamente como era na época de Jesus, o panorama continua impressionante. O que chama atenção hoje é principalmente o Domo da Rocha, com sua cúpula dourada, que no tempo de Jesus ainda não existia. Estudiosos informam que a plataforma inteira do templo oferecia lugar para até 500 mil pessoas. O templo era um local em que se reuniam multidões gigantescas, tendo pátios a céu aberto para o culto, enquanto o santuário propriamente dito e o lugar santíssimo eram reservados aos sacerdotes. Na época de Jesus, a vista daquele local deve ter sido ainda mais impressionante do que hoje.No capítulo 21 do evangelho de Lucas, Jesus está no templo, o orgulho do povo judeu daquele tempo. Seus discípulos se admiravam com a beleza das pedras e das suntuosas edificações – um símbolo da identidade nacional religiosa. Esse templo tinha o dobro do tamanho do templo de Salomão.

Tanto maior foi o choque quando Jesus disse que “não ficará pedra sobre pedra” (v. 6). Um anúncio inimaginável, comparável talvez com a ideia de hoje alguém apontar para o palácio do governo na capital do país e dizer que em breve aquilo viraria entulho e cinzas.Teólogos histórico-críticos afirmam que o discurso de Jesus teria sido datado retroativamente e atribuído a ele só depois da destruição do templo em 70 d.C.

Contudo, essa afirmativa não tem sustentação histórica. Lucas, o autor do evangelho, também escreveu o livro de Atos dos Apóstolos, que termina com a prisão de Paulo em Roma no mais tardar por volta de 64 d.C. Paulo morreu pouco depois durante a perseguição aos cristãos pelo imperador Nero. Ou seja, Lucas não poderia ter conhecimento da destruição do templo quando escreveu. Logo, as palavras de Jesus são autênticas e seu cumprimento comprova sua divindade.

A tentação de cultivar ilusões

A imagem do futuro que Jesus pinta não é nada rósea: ele fala de catástrofes naturais, guerras, perseguições, abalos sociais. Nós, entretanto, preferimos ser seduzidos pelo progresso, pela tecnologia ou pela prosperidade. Queremos construir o “reino de Deus” na terra por conta própria. É verdade que existem muitos motivos para sermos gratos: meios de transporte confortáveis, avanços na medicina, educação. Todavia, a ideia de um progresso contínuo e permanente é ilusória. A história e a atualidade revelam o oposto: as sociedades que imaginam poder criar o paraíso por meio de recursos humanos têm fracassado.

Finalmente, ao término do discurso de Jesus, vem o mais belo incentivo: “Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, levantem-se e fiquem de cabeça erguida, porque a redenção de vocês se aproxima” (v. 28). Os cristãos não precisam resignar em meio à escuridão nem desanimar, mas viver cheios de confiança e esperança. O destino da nossa espera não é a tribulação, não é o Anticristo, mas a volta de Jesus, o reino da paz e da justiça que ele trará.

O cristão que se preparar para os tempos do fim não deveria focar apenas em provas e dificuldades, mas naquilo que virá depois: o maravilhoso reino de paz de Jesus. Todo sofrimento e toda tribulação são apenas um breve prelúdio daquilo que Deus preparou. Virá o tempo em que Jesus mesmo governará e que será dominado por paz e alegria. Por isso podemos viver desde já de cabeça erguida, pois conhecemos o destino da viagem.

Realismo, esperança e alegria

Em seu discurso sobre os tempos finais, Jesus lançou um olhar realista sobre o futuro. Ele não sonega as dificuldades, mas não se detém no que é negativo.

Há três mensagens encorajadoras em Lucas 21: Não se assuste! Encare a realidade, mas não seja desencorajado. Confie que Jesus está ao seu lado! Especialmente em momentos de provação e fraqueza, ele lhe dará as palavras certas e o sustentará. Erga a cabeça! Não fique na expectativa das desgraças, mas da vinda de Jesus, da redenção e do novo reino que ele trará.

Essa é a perspectiva que os cristãos tanto necessitam ter. Não construiremos o reino de Deus com nossas próprias forças. Dependemos do nosso Senhor celestial e podemos confiar em sua fidelidade. Quem vive assim transmite esperança aos outros, irradia luz no ambiente escuro e honra a Deus. Com isso, muitos serão estimulados a perguntar de onde essa pessoa obtém sua esperança. Em quem você confia?

Enfrentemos o dia de hoje e o futuro com essa atitude. Sejamos realistas, mas não percamos a alegria, a confiança e a esperança – “levantem-se e fiquem de cabeça erguida, porque a redenção de vocês se aproxima”! Essa é a perspectiva que nos sustenta e nos fortalece, mesmo através de tempos tenebrosos.

fonte: https://chamada.com.br/confianca-em-tempos-tenebrosos/